terça-feira, 1 de setembro de 2009

Hole.




about me.

Olhar no fundo dos teus olhos negros e ofuscos me quebra o prazer da vida.
Eu poderia abraçá-lo e arrancar esse sorriso amarelo estampado em sua face escupida por anjos. Anjos tais que me arrancaram as asas e com elas minha única esperança de fugir.
Meu pequeno medo de reagir torna-se tão grande quando és tu que ages contra mim. E teu toque bruscamente leve, tua pele fria; confesso à ti que ainda sinto arrepios quando vidras teu olhar á mim.
Estou presa á ti por esse fio de dor que me sufoca o pescoço e prende-me aos teus pés, fazendo-me rastejar sempre que se afasta. Essa dor me dá a única certeza de que ainda estou viva, porém sem nenhum propósito. Um cadáver que respira.
Escreverei á ti um bilhete de despedida mas, a partida será tua. Permanecerei e intocavelmente o farei sair da minha vida. Sangrarei para continuar sentindo a vida e você caminhará pelo vale obscuro da solidão. Ao acaso correrás e cairás num orifício, enquanto encontro um alicerce. Descanse nas memórias, e me deixe dormir em paz.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Flightless Bird.


About me.

''Eu me pergunto por quê permaneceu aqui. Ás vezes você me faz tão mal, e eu sei que te faço o mesmo o tempo todo. Será que vale a pena querer ficar do meu lado? Ou eu do teu?
Não entendo a tua insistência de querer terminar certo algo que já começamos tão errado. E o erro maior foi meu. Admito.
Eu queria que você fugisse, e que parasse de querer mostrar as pessoas o quanto é 'bom'. Pare de se importar com o que pensam de você.
Já passamos por tantas coisas, e quantas vezes eu me escondi atrás de você. Mas já está tudo terminado, o verão acabou e você precisar ir, do mesmo jeito que eu preciso ficar sozinha.
Me machuca ver o quanto eu te machuco. Dói pensar no fim. Eu queria poder abraçá-lo mais uma vez sem que meus espinhos te ferissem. Mas simplesmente não posso, e não consigo abaixar a minha guarda.
Se você pode ir, então por favor não insista em ficar. Ao meu lado não é lugar de ninguém. Você me fez assim. Me ensinou à pensar e à agir com a cabeça ao invés do coração. E por mais que machuque o meu coração, minha consciência só estará limpa quando te deixar ir. Vá antes que meu veneno lhe atinja e eu te mate de sufoco e agônia.
Esqueça todo o mal que lhe causei e deixe comigo as boas lembranças, com elas construirei um novo lar.''

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Leave me.

Sinceramente, eu não suporto a compaixão. Não, não é a compaixão em si; é a pena.
''Eu nunca gostei de te deixar sozinha.'' Eu fico sozinha todos os dias e nunca se importaram. Meu passatempo predileto é o jogo da solidão.
''Você é forte.'' Claro que sou. Eu sempre tive que me manter com minhas próprias pernas, (não estou reclamando disso), na verdade, agradeço. Agradeço pois isso me faz mais forte, me fez crescer mais depressa, me fez sempre enxergar a 'verdadeira' realidade que me cercava. Eu aprendi a me virar sozinha, não gostava no início mas, a vida me obrigou a aprender.
''Você só está se machucando.'' Eu já me destrui várias vezes, e foi juntando as minhas cinzas que criei esta armadura. E não permito ninguém de quebrá-la, nem ao menos ultrapassá-la.
''Você nunca chora.'' Ninguém nunca está comigo. Como queres me ver chorar? Não sabes o que penso, tampouco sabes o que sinto. Não choro em vão. Recolhi as poucas lágrimas que me restaram e as coloquei num vidro profundo no meu coração.
Depois de quase dezessete anos, é agora que vens estender a mão? Agora que não preciso mais, queres que eu aceite algo que não tens para dar? Estou bem assim, acredite. E não me olhes com pena! Abomino isso. Eu existo porque me fizeste mas, só permaneci porque provei ser forte; eu me criei, me superei e jamais serei cruel comigo mesma. Nunca farei algo, que ao meu consentimento irá me machucar. E então, não preciso de tua compaixão.

... e se ela tivesse coragem de gritar tudo o que sente talvez se livrasse do sentimento de culpa, mas simplesmente não consegue mais quebrar a barreira que criara pra se proteger do mundo, e no fim o que ela tem mais medo está lá dentro com ela. É tudo tão distante e contraditório, e o medo domina todas as faces existentes.


sexta-feira, 31 de julho de 2009

Bubbles.

About me.


O vento ainda soprava forte, ecoando ruídos que fazia ao passar pelas folhas secas. Era uma tarde fria de outono, e a hora do crepúsculo chegava.
Sentada dentre as folhas secas e a grama úmida, ela olhou para o céu imaginando onde ele acabaria e desejando voar com as nuvens, ela adormeceu.
Acordara tempos depois e percebeu que as estrelas já eram visíveis e a lua cheia iluminava o jardim escurecido pela noite. Levantou-se ainda sonolenta, procurando por seus óculos e viu que não havia estado sozinha durante o sono: ''Flich, meu companheiro'', murmurou. O gato de pêlos brancos e macios levantou. Com cuidado, ela o agarrou em seus braços e andou em direção à velha casa branca, com janelas e portas de madeira.
A casa parecia mais sombria ao lado de dentro.
- Onde esteve? -ouviu-se uma voz feminina e rústica.
- No jardim; olhava as estrelas. -respondeu.
Ao perceber que não haveria mais respostas ela caminhou até as escadas e as subiu tropeçando duas, ou três vezes.
Ela deixou o gato em sua porta e entrou no quarto. Ainda com as luzes apagadas, ela caminhou até a janela e voltou a admirar o céu e a forma com que as estrelas mesmo distantes pareciam estar juntas. No canto da janela havia um pequeno vidro com espuma, ela soprou algumas bolhas de sabão e pediu para que elas voassem além das estrelas, e além do infinito, e que voltassem quando encontrassem a felicidade, e a trouxesse dentro de sua esfera.
Ela olhou por alguns segundos as pequenas bolhas serem levadas pelo vento, e depois sentou-se na cama.
Flich, que olhava atentamente para sua dona, andou e pulou sobre seu colo, miou uma vez e fechou seus grandes olhos, como se ali estivesse encontrado seu alicerce.
Passando a mão sobre o pelo macio do gato, ela disse: '' Não me abandone, pequeno companheiro '' e uma lágrima escorreu em tua face.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

She is not alone.


About me.

E ali estava ela, novamente sozinha. Esperando por algo que nem ela sabia bem o que era, e muito menos quando voltaria (e se voltaria). Dúvidas não lhe saíam da mente, perguntas que fazia a si mesma mas, pareciam não ter respostas.
Sempre que se encontrava sozinha, ela procurava por lembranças, isso a fazia se sentir melhor e acima de tudo, se sentia acompanhada. Lembrava-se dos bons momentos em que haviam pessoas sorrindo ao teu lado e muitas vezes, mesmo sozinha, as lembranças lhe faziam sorrir.
A única coisa que não entendia era o por quê de uma hora para outra ela se encontrava naquele estado. Por que as pessoas a deixavam sozinha, e nos momentos em que mais precisava desapareciam? Mas, á essas alturas ela já criara um 'escudo' em torno de si, e nã se permitia sofrer por isto. Era mais fácil assim.
Ela aprendeu que conseguir se mantêr (sozinha) era um dom que poucos possuíam. Ela aprendeu que tudo é passageiro e não podemos nos prender á nada nem ninguém. As coisas acontecem, se vão por questão de tempo.
Ela conheceu dois mundos: um lotado, onde as pessoas estão sempre rodeadas por outras, acompanhadas e totalmente depedentes umas das outras. E o outro mundo era vazio; e cada pessoa se mantinha firme por si mesma. Ela se encontrou neste mundo.
Ela aprendeu que, ás vezes, mesmo rodeada de pessoas, pode-se estar mais sozinha do que quando se realmente está .
Ela aprendeu que as pessoas são como os sentimentos : passageiros. E não valia a pena se torturar.
Ela aprendeu que as lembranças eram o que de mais valioso poderia se ter, porque sempre que se sentia sozinha, mergulhava nelas e sentia-se vivendo tudo novamente.
Ela aprendeu que mesmo sozinha, ela podia fazer a diferença. Ela aprendeu que a maior força que tinha estava dentro de si mesma, e que sempre que precisasse de ajuda ela podia contar consigo para enfrentar o que quer que seja. Medo. Decepção. Desilusão, não existia mais.
Ela descobriu que nunca esteve sozinha, sempre se teve por completa.

domingo, 12 de julho de 2009

To be, be.



About me.


O que é ser? Será que alguma vez já fomos capazes de ser alguma coisa?
Somos todos tão imprevisíveis; mudamos o tempo todo. Nossos gostos, gestos estão sempre diferentes.
Nenhum ser consegue ser, a capacidade máxima de um ser é estar. Um exemplo disto é a tal 'felicidade' . Quem se diz ser feliz? Temos momentos felizes, momento que poder durar segundos ou anos. Se em um instante estamos felizes , no outro podemos simplesmente não estar. Quem pode afirmar ser feliz sem nunca ter estado triste antes? Se fosse realmente feliz jamais se obtiria pela infelicidade. E como saberíamos o que é felicidade sem, ao menos conhecer seu oposto? Nenhum ser humano é capaz de ser por completo algo, sempre ocorrerão mudanças, é normal, sempre seremos seres diferentes do que fomos à segundos átras. Isto é o 'ser humano' . Totalmente incapazes de ser, limitando-se ao estar.


''A consciência é um ser para qual o seu ser se trata de seu ser na medida em que esse ser implica um ser diferente.'' Jean-Paul Sartre.